Poetisa com Z

Poetisa com Z

sábado, 15 de agosto de 2020

Verdade-Mulher (Gravidez do Animus Dionisíaco)

 Te toco,

o seio tocado.

Te teço,

cabelo e entranhas.

Me útero em teu ventre,

e te barrigo homem,

te barrigo homem.



Natasha Treuffard


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Erro

Eu gosto de dias cinzas!!
É!! 
Amoooo!!!
Detesto dias de sol! 
Me deprimem.
E a praia?
Eu odeio!!
Acho um erro da existência.
Primeiro porque a água é salgada.
Água pra mim tem que ser doce.
Segundo porquê tem areia.
Se ainda fosse grama, pedra, terra,
flores,
pra chegar até o mar...
Mas areia?
Me poupe.
Cruzar a areiaaa pra chegar na água salgada??
Na moral, é muita falta do que fazer.
Terceiro erro: o calor.
Pqp!!!
Se ainda tivesse um regulador de temperatura...
E quarto: a fotofobia nivel master.
Quer dizer,
pra que vou ficar cega,
num lugar que é um inferno de quente,
que a água é salgada e ainda tem areia??!!
Praia é um erro do criador!!!
Podia fazer coisa beeeem melhor...
Imagina,
um mar de água doce,
com grama, pedras,
flores...
Odores...
Num lugar com sombra!
Sem falar que a praia estraga minha branquelice natural...
Outro erro!
Não rola!!
Banho só de lua.
E tem mais,
No Rio de Janeiro
chamam praia de natureza,
mas pra mim é cenário.
Fora ser um esgotão!
Não dá.
E na areia, arghhhh...
Aquela super lotação!
Ficam invadindo minha aura!!
Num guentooo!!!
Na boa,
Deus não tava inspirado no dia que criou a praia!
Isso se Deus existir.
Praia é coisa do Diabo! 
Kkk



Natasha Treuffard

Abra Gatabra

A gata apareceu no basculante.
E sumiu dentro da cartola.
Mas na carlota, 
não some só coelho ou coelha?
É que era uma gatelha!
Um gata pentelha.

Ponto Cego

O olho olha o mundo,
ou o mundo olha o olho que olha?
E eles se veem?

domingo, 26 de abril de 2020

NATASHA TREUFFAR, POETISA COM Z


"No dia em que conheci Natasha Treuffar descobri que ela era poeta. Natasha não mede alumbramentos. Ela se revela. Se o verso é substantivo masculino, Natasha se despe diante dele. Nua, ela canta. Natasha é poeta que adere ao verso de acordo com a pulsação da carne. A poesia para ela é a existência. Nesse existir da poesia ela se dá inteira. Por isso mesmo a flor do sexo na sua poesia exala a eterna primavera. Mística, ela desmistifica. Conhece o que diz. Experimenta. Seus poemas nascem fecundados pelo ser. Quem fala nos seus versos é a voz de uma vida autêntica. Intenção de alegria. Caminhos poéticos que ostentam uma superfície irisada pela beleza de cores em movimento. Têm início, meio e fim, são arcanos que revelam mistérios. O lugar aonde ela sempre chega é o gozo das palavras. Lá ela mora. No sonho dos sentidos, a mais pura das realidades. Enquanto sonha as palavras, Eros brinca com ela. Natasha encarna Afrodite. Sua poesia é afrodisíaca por natureza. O mar lhe sorri. Vida é riso, ela não cansa de repetir, e está sempre certa. O amor, o sorriso e a flor, tudo isto gerou Natasha. A garota de Ipanema que conheci, com seus tarôs e incensos, agora é uma nobre habitante de Visconde de Mauá. Chamei-a certa vez de Viscondessa. Ela adotou. Natasha subiu a serra. Foi à fonte para penetrar nos reinos mais recônditos das palavras. Musa entre as musas que lhe dão os versos, Natasha abraçou o ofício de engendrá-los. Homens lhe adoram. Mulheres lhe são cúmplices. Na aventura, o prazer de viver é amigo e confidente. Natasha Treuffar tem ouvidos prenhes. A voz de um mundo feliz é o seu sêmen. Naturalmente, ela versa. Mulher escolhida pela poesia, seu livro era questão de tempo. Ele veio. Que seja um livro amante de todos que o mereçam. Livro de cabeceira, não apenas, mas um livro de cama."

André Vinícius Pessôa, poeta e ensaísta.




quinta-feira, 23 de abril de 2020

MANIFESTO CONTRA A INSANIDADE


Ter o Bozo como presidente
Ė ter certeza que o Brasil está doente!
Uma psicopatologia social gritante!
Alarmante!
Demente!

E agora a pandemia,
Toda essa dor,
Essa agonia,
E o Bozo negligente.
De fato parece que ele quer matar a gente!

E esse ministro da falta de saúde?
Estamos vivendo um filme de terror...
As trevas.
Desamor.

Muitas pessoas  morrendo
E o número de mortes só vai crescendo.
Tudo só vai piorar!
E o Bozo não faz nada pra ajudar!

Aglomera pessoas,
Faz ato pro ditadura!!
Ele não tem compostura!
Esse pais ta uma loucura!!!
Tá difícil continuar!

Da vontade de gritar!!!
De chorar!!!!
De desistir.

Mas somos brasileireiros
Precisamos resistir!

Reinventar a esperança!
Gerar cura!
Achar paz em nós!
Dentro de nós.
Apesar de todo terror que vivemos.

É preciso que nos centremos,
Que meditemos,
se precisamos nos isolar.

E aproveitar pra nos rever,
autoconhecer,
reinventar.

Enfrentar nossos fantasmas,
meuras,
travas,
traumas.

Com amor,
acolhimento
e calma.

Sim,
criar um sim dentro de cada não.
Reconectar nosso coração!
Achar o ponto de mutação.
Pra superar este momento!

Não vai ser fácil!
É muito sofrimento!
E hão pessoas insanas!
Sem discernimento.

Fervorosas em ilusões.
Contra as prevençoes,
da pandemia.
É muita hipocrisia!

Além do virus,
essa falta de ética.

Choro...
Muito!!!
Por todos que morrem e sofrem.

Pelos coveiros,
pelos entregadores,
pelos motoristas,
pelos caixas de mercado,
pelos faxineiros.
pelos médicos e enfermeiros!

Por todos os brasileiros!

Choro um bocado!!!
E a dor não passaaa!
Tanta ameaçaaa!
Eu me sinto impotente!
E ainda esse desumano presidente!

Nós brasileiros,
tendo que ser pacientes...
Seguir resilientes.

Quando eu só quero gritar!!
Chorar e morrer.
Eu não tenho vontade de viver.
Nem de acordar.

Mas hoje,
não sei porque a poesia me abraçou.
Talvez pra me lembrar que
"a arte existe para que a realidade não nos destrua"
Ai fiz esses versos indignados e tristes.

O virus mata,
do covide.
Destroi.

Mas ele não sabe o que faz.
Não tem consciência.

Mas e quem tá na presidência?

Tenho horror,
indignação,
vergonha,
nojo
e perplexidade.

Não dá pra crer que isso que tá acontecendo é verdade!

Impeachemant por piedade!!!
Chega de crueldade!!!!!

O virus pede união, 
soledariedade.
E não esse festival de insanidade!!!


Natasha Treuffard

quarta-feira, 22 de abril de 2020

AMOR


Quero que a dor,
não seja o mantra principal da humanidade.
Quero que seja o amor!


Natasha Treuffard

QUARANTAINE


La quarantaine nous déplaît.
Nous sommes seuls
et isolés du monde.

La quarantaine nous rend tristes.
Car nous savons que beaucoup de gens mourront.
Et il y aura beaucoup de souffrance.

La quarantaine nous révolte.
Mais nous sommes impuissants et nous ne pouvons rien faire.
Seulement notre part.

La quarantaine est peut-être le moment de repenser notre rôle.

Penser à nos habitudes, à nos faiblesses, à nos erreurs.

Penser à ce que nous pouvons faire, pour notre part dans la création
un monde meilleur.

Pensez à notre potentiel.
Peut-être gaspillé.
Quand on n'entend pas
ou on ne se respecte pas si souvent.

Pensez à l'amour.
En notre capacité d'aimer.
Si nous cessons d'aimer par peur
ou parce que le capitalisme nous a rendus malades.

Beaucoup de gens vont mourir.
Des humains comme nous.
Les gens à qui nous allons cesser de sourire.
Les aidant à traverser la rue.
Lutter pour leurs droits.

Des gens que nous n'embrasserons plus
Et dis je t'aime.

Nous vivons morts.
Dans une culture qui nie nos sentiments,
nous force à ne pas ressentir.
Pour être une pierre.
Ne pas montrer d'émotions.

Mai à la fin de la quarantaine,
on pourra sourire à nouveau,
étreindre beaucoup.
Et démontrez notre amour.

Pendant la quarantaine,
nous pouvons apprendre à le faire.
Parce que la quarantaine
est le temps de se connaître.
Atteindre une transformation intérieure.

Et, si nous ne pouvons pas
sauver le monde ou les gens,
nous pouvons au moins
sauver l'humain en nous.

L'amour qui habite encore en nous.


Natasha Treuffard

LUTO


Eu luto.
Substantivo e verbo.


Natasha Treuffard

Deus, ou criancinhas querendo a mamãe e o papai?

"Deus está morto."
Não!!

Deus está de férias.
Deus pegou no sono.
Deus se perdeu ao usar seu livre arbítrio.
Deus está confuso...

Vamos ajudar Deus a sair do seu labirinto.
Vamos orar por ele...

Claro, se ele existir. rs

Pra mim neste caso tem duas opções:
Ou ele é burro,
Ou sadomasoquista!

Sádico como criador
E masoquista como criatura.
Não vejo outras opções!

Melhor encarar o vazio da existência,
Que reproduzir papai e mamãe
na transcendência.


Natasha Treuffard

ELE (A FERA)


Ele.
Era ele.
E era ele.
(era?)
e era ela.
Era elo.

Ele era amarelo!
De medo.

De medo dele?
De medo dela?

De medo do elo!
Duelo.

Medo de amar.
E de domar,
sua fera.

Ele amava ela.
Mas, não contava pra ninguém.
Nem pra si.

Andava em circulos,
tentando arrancar a flecha,
que o cupido lançou
em seu coração de pedra.

Vivia no mundo de Atena,
mas sabia,
no fundo,
que ela, 
era sua Helena.

Porém, seu lado Paris,
tinha desaprendido a viver em pares.
E ímpar,
ele erguia a espada.

Meio Hércules,
lutava contra o leão.
Não de Neméia.
Mas, seu leão interior.

Fingia ser ovelha...
Se protegia no rebanho.
Sem coragem de ser,
plenamente.

A sua força de viver.
A potência de amar.
Desaprendeu a se doar.
E doeu,
nela.

A machucou
e tanto,
que ela partiu.

E ele?
Se repartiu.
Ou, já era repartido?
Cindido?
Defendido?

No corpo dela o orgone.
A bioenergia fluia.
O amor acontecia.
Entre paredes e sete chaves.

Mas, fora do quarto
ele voltava pro quartel.
Tirava o anel.
E negava o elo.

Amarelo!
De medo.

Sabe, 
o leão do mágico de Oz?
Que não tinha coragem?

Era ele.
E era ele.
(era?)
e era ela.

Ela,
Bela,
pulsando no seu pau,
e no seu coração de fera.


Natasha Treuffard