Poetisa com Z

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quarta-feira, 22 de abril de 2020

ELE (A FERA)


Ele.
Era ele.
E era ele.
(era?)
e era ela.
Era elo.

Ele era amarelo!
De medo.

De medo dele?
De medo dela?

De medo do elo!
Duelo.

Medo de amar.
E de domar,
sua fera.

Ele amava ela.
Mas, não contava pra ninguém.
Nem pra si.

Andava em circulos,
tentando arrancar a flecha,
que o cupido lançou
em seu coração de pedra.

Vivia no mundo de Atena,
mas sabia,
no fundo,
que ela, 
era sua Helena.

Porém, seu lado Paris,
tinha desaprendido a viver em pares.
E ímpar,
ele erguia a espada.

Meio Hércules,
lutava contra o leão.
Não de Neméia.
Mas, seu leão interior.

Fingia ser ovelha...
Se protegia no rebanho.
Sem coragem de ser,
plenamente.

A sua força de viver.
A potência de amar.
Desaprendeu a se doar.
E doeu,
nela.

A machucou
e tanto,
que ela partiu.

E ele?
Se repartiu.
Ou, já era repartido?
Cindido?
Defendido?

No corpo dela o orgone.
A bioenergia fluia.
O amor acontecia.
Entre paredes e sete chaves.

Mas, fora do quarto
ele voltava pro quartel.
Tirava o anel.
E negava o elo.

Amarelo!
De medo.

Sabe, 
o leão do mágico de Oz?
Que não tinha coragem?

Era ele.
E era ele.
(era?)
e era ela.

Ela,
Bela,
pulsando no seu pau,
e no seu coração de fera.


Natasha Treuffard

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