"No dia em que conheci Natasha Treuffar descobri que ela era poeta. Natasha não mede alumbramentos. Ela se revela. Se o verso é substantivo masculino, Natasha se despe diante dele. Nua, ela canta. Natasha é poeta que adere ao verso de acordo com a pulsação da carne. A poesia para ela é a existência. Nesse existir da poesia ela se dá inteira. Por isso mesmo a flor do sexo na sua poesia exala a eterna primavera. Mística, ela desmistifica. Conhece o que diz. Experimenta. Seus poemas nascem fecundados pelo ser. Quem fala nos seus versos é a voz de uma vida autêntica. Intenção de alegria. Caminhos poéticos que ostentam uma superfície irisada pela beleza de cores em movimento. Têm início, meio e fim, são arcanos que revelam mistérios. O lugar aonde ela sempre chega é o gozo das palavras. Lá ela mora. No sonho dos sentidos, a mais pura das realidades. Enquanto sonha as palavras, Eros brinca com ela. Natasha encarna Afrodite. Sua poesia é afrodisíaca por natureza. O mar lhe sorri. Vida é riso, ela não cansa de repetir, e está sempre certa. O amor, o sorriso e a flor, tudo isto gerou Natasha. A garota de Ipanema que conheci, com seus tarôs e incensos, agora é uma nobre habitante de Visconde de Mauá. Chamei-a certa vez de Viscondessa. Ela adotou. Natasha subiu a serra. Foi à fonte para penetrar nos reinos mais recônditos das palavras. Musa entre as musas que lhe dão os versos, Natasha abraçou o ofício de engendrá-los. Homens lhe adoram. Mulheres lhe são cúmplices. Na aventura, o prazer de viver é amigo e confidente. Natasha Treuffar tem ouvidos prenhes. A voz de um mundo feliz é o seu sêmen. Naturalmente, ela versa. Mulher escolhida pela poesia, seu livro era questão de tempo. Ele veio. Que seja um livro amante de todos que o mereçam. Livro de cabeceira, não apenas, mas um livro de cama."
André Vinícius Pessôa, poeta e ensaísta.

