Poetisa com Z

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Poema de Amor Útopico

Não quero ser sua, mas quero ser sua !!

Não quero ter dono, mas quero o que você quer.

E não posso querer isso!

Não quero que você seja meu e quero!

E isso tudo da tesão!

Um tesão de buraco negro infinito.

E amo esse tesão / paixão, de corpo e alma.

Mas, não posso mais brincar disso.

Brincar de me precipitar no abismo.

Então, se meu sentimento me trair,

terei que partir,

porque não posso compactuar com isso.

Não acredito em propriedades no amor.

Sou filha de comunista, lembra ?!

O amor vem como uma brisa e um dia ele vai ...

Se você quer se entregar a brisa, isso aceito.

Até porque a brisa sempre me seduz ...

Venha, podemos ser seduzidos juntos!

Mas, não mais que isso.

Um dia você me disse: "sou seu"

após eu ter me entregado a você inteira,

sendo sua.

E, nesse dia, pouco antes de suas palavras

eu tinha olhado pro seu corpo,

pleno de você e pensado: "meu"

e então senti raiva.

Coisa que não sou de sentir,

até porque, gastei toda na adolescência.

E vi que era hora de partir.

Me nego a sentimentos vis!

Abro mão do amor, mas me nego a sentimentos vis!

Prefiro estar só do que você ser meu e eu ser sua,

porque não vivo de ilusões.

Ninguém é de ninguém!

Possuir é um dos abismos da existência.

E não quero me perder,

nem no seu corpo (quero !!).

Não posso me perder! (quero !!).

Não vim pro planetóide azul pra me perder!

Desculpe! 

A minha falta, talvez de humano em mim,

ou o excesso,

mas minha "verdade" é ser a práxis das minhas utopias.

Sou minha! 

E minha busca!

Sou o ato de plenamente comigo sempre estar,

de não me perder ao me doar.

Amo assim,

livre de prisões ...

Sou nômade, 

preciso ir !!

Mas ai vem o seu corpo ...

Jaula! 

Na qual eu moraria,

mas eu morreria.

De tesão e pelo aprisionamento.

O amor, tem que ser livre!

Se te amo, posso abdicar te ti.

Então amor, 

te amo e te odeio, 

por te amar perdidamente.

Te odeio,

sinto raiva ...

De te amar assim!

E como odeio o ódio e tenho raiva da raiva ...

Sinto medo.

Sinto que chegou a hora do fim.

Não vou jogar minha liberdade

 e minha luz, na areia movida.

Não vou compactuar com um surto de amor que crescera em proporções desmedidas (mesmo que lindas e sobre humanas)

Prefiro partir !!! (dói !!!!)

e lutar outras lutas!

Porque você me faz sua com mestria

e assim, você se faz meu.

Assim, o amor dominará apaixonado ...

E eu serei também você.

E sendo você

perderei parte de mim.

Ah, amo os abismos das paixões!

Mas já me perdi neles ...

E não posso me perder assim !!!!

Então eu parto (é um parto).

E me reparto,

mesmo te amando ...

Para me reencontrar em mim.


Natasha Treuffard


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