Ateia,
move sua teia.
As tetas férteis,
as terras,
as pernas,
nuas.
Onde nasce o esperma.
Útero,
que gera o ser.
Seu nome,
bendito eu grito!
Meu nome,
escrito na bíblia da tua pele,
você grita!
Em silêncio.
Mesmo querendo calar.
A rima,
os versos,
onde nossos corpos se animam.
E depois você me nina.
Eu,
menina e mulher no seu corpo ateu,
que me disse:
"sou teu."
Num repente,
dos nossos corpos quentes.
Ardentes.
Você serpente
e eu maçã.
Meu nome foi tatuado em ti.
Seu nome foi tatuado em mim.
Antes, depois e agora!
Nada existe!
Tudo existe!
Não existe hora!
É tudo igual.
E assimétrico.
Desigual,
ritual,
portal,
espiral
e imortal.
Útero.
Sua serpente
eternamente ardente,
em busca do meu útero.
Da minha terra,
da minha teia.
E eu,
ateia.
Eu ateia e sua deusa.
Ateia e sua musa.
Sua música.
Das esferas.
Eu,
sou,
suas feras.
Efêmera,
vulcânica,
E cálida.
Não me calo!
Cálice!
De sangue.
Cálice sagrado.
Sou seu santo graal.
Sou sua estrela,
trasmundana
e antimetafisica.
Antiapocalíptica.
Terrestre.
Tsunâmica e terremótica.
Música da terra.
Música das nascentes.
Das serpentes,
ressonantes vermelhas,
das estrelas,
das esferas.
Suas feras,
sempre em mim,
que me respiram
e me tragam.
Me atraem
e me fazen gemer.
Me fazem sua gêmea.
Ateia.
Vem!
Me conjurar!
Me exorcizar!
Me catequizar!
Me rezar!
Me batizar!
Me lilithizar...
Entre as minhas pernas.
Luciférica.
Eu por cima de ti.
Na minha teia,
de sereia,
ateia.
Onde,
você bem sabe,
sem querer,
prendi seu coração.
NatashaTreuffard
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