As sereias foram consequência de uma experiência genética cruel, utilizada como intervenção de controle e tortura. Vou contar como tudo se deu.
Há tempos e tempos, existiram belas mulheres pagãs, livres e libidinosas. Deliciosas. Puras no ato de se permitirem prazer.
Essas mulheres exerciam domínio e fascínio. Detinham poder. De ser. Eram impossíveis de serem controladas ou dominadas, porque eram grandes wiccas, com o poder dos orgasmos múltiplos infinitos. O poder do orgom. O Dom.
Todos os homens as desejavam, mas também as temiam, pois sentiam que nunca seriam suficientes para elas, tamanha a sua sede de prazer e de amar livremente.
Elas gostavam de ter haréns, remanescentes que eram do matriarcado.
As mulheres feias e frígidas, sem alma voluptuosa e livre, abençoada pela Deusa do Amor, também as temiam e odiavam, simplesmente por elas se permitirem viver plena e intensamente.
E elas seguiam. Em poéticas caravanas de odores florais, cidade a cidade, povoado a povoado. Seduzindo, gozando, usufruindo dos ápices de prazer! E despertando a Kundaline. O espírito da Deusa por onde passavam…
Só que a ira que por elas se desenvolveu, mais o desamor vivido por um grande rei, por uma delas, fez com que ele, para castigá-las, lhes prendesse e mandasse lhes arrancar as pernas, o útero, a vagina, o clitóris e o prazer! E por intervenção genética, elas foram clonadas da cintura para baixo a rabos de peixe e isoladas num lago.
Indignadas e magoadas, oraram junto a Deusa, que as transformou em chuva, através de suas lágrimas, e as evaporou para os rios e mares.
Algumas delas, revoltadas, seduziam os homens até a morte por vingança. Apareciam com os seios desnudos, cantavam e os faziam se jogar no mar. E, por um feitiço, transformavam seu rabo em ventre e rebolavam… Se roçavam no falo deles… Os enlouquecendo… Os levando ao ápice do tesão! E quando eles ia gozar, elas cortavam seu falo fora, fazendo-os morrer de dor lentamente…
Mas, essas enviadas da Deusa, crucificadas em sereias, na verdade só queriam ser. Ao máximo! E despontar o prazer. Fazer amor com ele! Despertar a Kundaline nas mulheres mortas-vivas, para que essas renascessem plenas. Acordando e redescobrindo seu feminino adormecido!
E, embora em sua essência, elas só trouxessem amor e êxtases, bem como, o exercício da liberdade e da plenitude, foram castigadas e torturadas cruelmente. Como é clássico da história humana.
Muitas então, dominadas pela ira, nascida da injustiça que viveram, quiseram ficar até o fim dos tempos nos mares e rios, para se vingar da maldade do homens! Outras, de temperamento mais ameno e doce, e de tanta tristeza, pediram a Deusa para se tornarem estrelas. E se tornaram. E por fim, a minorias delas, as mais guerrilheiras e corajosas, persistentes e esperançosas, pediram a grande Deusa, suas pernas de novo, para voltarem a terra em meio aos meros mortais e tentar resgatar o prazer e a plenitude feminina. A Kundaline adormecida! Continuando o trabalho já começado e destruído.
Essas são as combatentes da Deusa reencarnada, que estão hoje entre nós, disfarçadas de humanas! Contudo, com um olhar mais atento, é fácil identificá-las!
Muitas foram mortas na "santa" inquisição, mas, algumas conseguirão fazer a revolução! A duras penas… Embora, o contraponto de êxtases e orgasmos múltiplos, que elas são capazes de sentir, humana nenhuma jamais alcançou!
E elas persistem, resistem. Na luta por um mundo melhor. De liberdade, alegria e prazer! Pleno. No ato de ser.
Natasha Treuffard
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