Se apaixonar pelo amor,
amar a paixão,
ter tesão pelo afeto
e afeto pelo tesão.
Ter você,
na palma da minha mão,
aberta.
Ter você,
entre a minhas pernas,
minha seta,
entumescida.
Peito escancarado no mundo,
te ter do lado,
isso é tudo.
Pois amar,
é um ato político.
Uma guerrilha.
E meu tesão,
é revolucionário!
Incendiário...
Minha paixão?
Poesia-libertária.
Paixão-saúde,
contrariando a tudo,
e a todos.
Ao mundo!
Fiel a mim.
Fiel ao sim.
A só ser.
Tecer,
na carta XV do tarô.
é isso que eu quero ver...
E é só como sei viver.
Amar,
na carta XI.
Só para poucos,
só para raros...
Matar o Leão de Nemeia com a mão!
Ser sua ateia,
sua pulsão...
Meu descanso?
O corpo cansado de te ter,
já querendo mais...
Seu corpo cansado de meter,
infinitamente,
em mim.
De me ter,
sem se conter.
Pois sou sua lua,
sua loucura,
sua aurora,
seu
alvorecer.
Sou sua carta da torre.
Sua Gaia,
e sua ciência,
quem não tem paciência,
de esperar você crescer.
Sou sua,
quero gritar,
quero dançar,
quero viver...
Mas sou minha também.
Sou completamente minha,
porque sou sua.
Completamente sua,
porque sou minha.
Completamente nua,
pois meu vestido é de vento,
e de água.
Deságua em mim...
É de fogo,
me incendeia,
transforma em ventre,
meu rabo de sereia...
Que te faz arder!
Que te consome,
que te dá fome de mim...
De pertencer.
Ah,
a vida pode ser tão simples,
se você crescer.
Se você viver,
sem medo.
Sem se repartir...
Sem me obrigar a partir
Vem!
Ser plenamente seu!
E por isso meu.
Nosso.
Vem só sentir...
E florescer
esse sexo contido,
escondido,
que não faz sentido.
Que te mantém refém,
menino.
Pois te rouba de você.
Deixa eu te raptar,
de todas a suas paranoias...
Deixa eu acordar,
essa kundaline represada,
ressentida...
Deixa eu fazer seu corpo ficar Odara...
Sua cuca ficar Odara...
Deixa eu fazer,
poesia-político-libertária,
com você.
E por,
sua economia sexual,
pra enlouquecer.
Natasha Treuffard
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